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Qual é a cantada infalível?

Ele escreve obituários, ela é dançarina.

Ele: Quando dava seis horas nós ficávamos em volta do computador e líamos a página do dia seguinte, fazíamos os ajustes finais, colocávamos alguns eufemismos para nos divertirmos…

Ela: Por exemplo?

Ele: Ele era um cara jovial - significava que ele era alcóolatra. Ele  valorizava a privacidade - gay. Ele aproveitava sua privacidade - extremamente gay.

Ela: Qual seria o meu eufemismo?

Ele: Ela era… estonteante.

Ela: Isso não é um eufemismo.

Ele: Sim, é.

Não, essa não é a cantada infalível. É só um exemplo de uma cantada infalível.

Desculpe desapontar quem estiver lendo, mas a cantada infalível não tem receita. Não existe esta ou aquela que funcionam com todos os pretendentes - seja você homem um mulher. O que muita gente não sabe é que as cantadas mais infalíveis são aquelas que se encaixam no contexto do momento, com aquela pessoa, com aquela conversa, com aquele timing.

A cantada infalível é a criatividade

A cantada que usei como exemplo, tirada do filme “Closer“, mostra como todas as cantadas deveriam ser: dentro do contexto da conversa, com criatividade.

As clássicas de pedreiro como “ô, lá em casa” ou “xuxu da minha marmita” podem até divertir, mas não vão fazer alguém ficar sem palavras.

E se o seu objetivo é conquistar alguém (seja por um momento, uma noite ou por muito tempo) você tem que deixar a pessoa sem palavras. ;)

Autor Claudia Regina Categoria Para pensar Comente 3 comentários

A ditadura da beleza não existe

Antes de partir para as perguntas 40 e 41 do Projeto 365 Perguntas vou falar um pouco sobre a beleza:

Homem vitruviano

"Ditadura da beleza"

Fico indignada quando escuto alguém falando uma besteira como: "é um absurdo essa mídia de hoje em dia com essa ditadura da beleza dizendo como todos devem ser magros"

Pera lá! Vamos por partes:

Ditadura da beleza?

Será que o conceito de beleza é algo que se impõe? Talvez existam tendências, escolas e hypes - mas beleza mesmo, aquela da essência, não se discute. As artes estão aí para provar isso.

Porém, quando passamos a falar sobre a beleza do corpo humano na realidade estamos nos referindo à reação dos outros seres humanos. Normalmente eu diria "do sexo oposto", mas ultimamente tenho percebido que esse termo vai entrar em desuso muito cedo. Assim como piadinhas de gays/viados/sapatões estão cada dia mais perdendo a graça. Uma pausa para darmos uma viva à evolução - já era hora.

Para não ficar dúvidas: ninguém pensa na beleza intrínseca da Mulher Melancia - aliás, se quiser se divertir pergunte para um homem se ele pode falar mais sobre a beleza intrínseca da Mulher Melancia -, os homens simplesmente pensam que ela é gostosa. E quando se usa o termo gostosa é porque estamos falando de comer ela (no bom sentido). E, se estamos falando de comer a Mulher Melancia, então quer dizer que essa beleza não tem nada de intrínseca! Muito pelo contrário, ela é dependente da atração sexual resultante da bunda enorme daquela guria! Então a beleza dela depende de uma atração sexual instintiva do ser humano (os motivos para peitos e bundas serem os preferidos você encontra a um Google de distância!).

Resumindo: Beleza - com B maiúsculo - não se discute.

Não existe ditadura da beleza de uma música ou de uma obra de arte, pois é uma beleza intrínseca.
Não existe ditadura da beleza dos nossos corpos, pois é uma beleza baseada em algo que é igual em todos nós: instinto [sexual].

É claro que, ainda bem, não somos somente corpinhos passeando por aí. Temos cérebro e usamos ele bastante, então isso também ajuda na hora da atração. Por isso já vou dizendo: não sou "contra" gordos. Não acho todos os gordos feios. Assim como não acho todos os magros bonitos. Se eu usasse só meus instintos, seria assim, mas não é o que acontece. Eu uso meu cérebro para criar outras "margens de corte". Barba, óculos, esperteza, audácia, sarcasmo: são coisas que me atraem, independente do peso de seu portador.

Homem vitruviano - gordinho

Hoje em dia?

Na época das cavernas era diferente de hoje? Mais para frente, na idade média, será que era diferente? Por mais que em algumas épocas ser gordinho fosse chique, não quer dizer que fosse bonito. Tanto que reis e socialites de suas épocas não se contentavam com suas mulheres gordinhas e chiques. Se fôssemos falar de beleza, mesmo mesmo, eles preferiam a escravas magrinhas e sedutoras.

Época é irrelevante para instintos, a não ser quando falamos em períodos de bilhões de anos. Como o ser humano está longe dessa marca, o instinto de uma gordinha moderna de hoje lutando pelos direitos de seu Big Mac está no mesmo patamar do instinto de uma mulher sendo puxada pelos cabelos lá na época da pedra polida. Se pudessem escolher as duas iriam preferir passar uma noite com o Jhonny Deep do que com o Jô Soares - e desculpe te decepcionar, mas não é a mídia que disse isso não, afinal a mulher das cavernas não assistia novela.

Então chegamos na mídia

Claro que mídia não é só televisão e revistas, mas com certeza são os meios mais utilizados para a suposta ditadura da beleza ser espalhada. Vou ser simples e direta nesse ponto: são empresas de pessoas que querem sobreviver assim como eu e você, e fazem o que for por isso. Se o público se interessa por Mulher Melancia, é Mulher Melancia que eles colocarão na mídia. Que mania de querer uma mídia fofinha e politicamente correta que busca a paz mundial.

Quer verdadeira intelectualidade e fatos? Vá ler um livro, pesquisar e estudar. O papel da mídia não é mais - se é que já foi - o de ser a única fonte de informação inteligente e séria ou notícias importantes. Na realidade o papel da mídia - e quando falo "da mídia" me refiro principalmente à TV e Revistas - agora é divertir. Papel necessário, é claro, pois ninguém é de ferro e pode escolher como quiser sua forma de diversão.

Finalmente chegamos na magreza

Essa história de luta pelos direitos de ser gordo e "comer feliz o que acha gostoso" para mim tem cara de coisa que o McDonald’s criou. Sociedades e grupos de gordinhos nos Estados Unidos existem em montes, só para celebrar o fato de que eles sim vivem a vida felizes comendo bastante. Desculpe, mas para mim eles só estão celebrando o enriquecimento de empresas privadas que não estão nem um pouco preocupadas com elas - além de "celebrar" sérios problemas de saúde relacionados à obesidade (e não são poucos). Ser gordo não é questão de opinião pessoal, pois não é "opcional". É algo que infelizmente faz mal à saúde.

Sempre digo: se a pessoa é magra não quer dizer que ela é necessariamente saudável, pois existem formas para ficar esbelto que são o oposto de saúde: vide transtornos alimentares, dietas malucas e exercícios sem moderação. Porém, quando uma pessoa é saudável (não só no quesito alimentação, mas todo o estilo de vida), ela é necessariamente magra, e pronto.

É claro que nós, como indivíduos, não nos resumimos à nossa aparência. Mas um padrão de beleza existe e isso não podemos discutir.

Agora, vamos às perguntas! :)

Qual parte do seu corpo você gostaria de mudar? Todo ele, é claro! Ué, por que o espanto? Sou um ser humano oras bolas, sempre estou descontente com o que tenho!

Qual parte do seu corpo você não mudaria de jeito nenhum? Ok, ignorando a resposta acima: gosto do formato do meu rosto. Minha boca também é legal, talvez manteria. Ah é, a cintura. Minha cinturinha de pilão eu deixaria intacta! \o/

Dance Monkeys, dance

Um vídeo bem legal, forte, mas legal.

Nunca saberemos

Eu já ouvi essa história antes. Pessoas jogando com suas comparações, mas não deixam espaço para a imaginação. Eu quero mudar isso, mas sei que não é fácil assim. Então eu viro a página e leio de novo, de novo, e de novo. Com certeza me parece tudo a mesma coisa, com nomes diferentes! Estamos quebrando e reconstruindo, crescendo sempre achando, nunca sabendo.

Nós somos impressionantes mas não somos nada! Somos apenas momentos… espertos mas ingênuos. Somos apenas humanos, interessantes e confusos. Estamos até tentando, mas para aonde tudo isso está nos levando?
Nunca saberemos

Nossos corações são fortes, nossas cabeças são fracas. Assim nós só ficaremos competindo, nunca sabendo.

*

I heard this old story before
Where the people keep on playing for their metaphors
But don’t leave much up to the imagination,
So I, wanna give this imagery back
But I know it just ain’t so easy like that
So I turn the page and read the story again
and again and again
It sure seems the same, with a different name
We’re breaking and rebuilding
and we’re growing
always guessing
Never knowing
We’re shocking but we’re nothing
We’re just moments, we’re Clever but we’re clueless
We’re just human, amusing and confusing
Were trying but where is this all leading?
We’ll Never Know

Our hearts are strong our heads are weak
We’ll always be competing
Never knowing

LINK PARA A MÚSICA COMPLETA NO YOUTUBE

Uns trechos aleatórios que gosto de uma musiquinha do Jack Johnson (Never Know - "Nunca saberemos") para acalmar os nervos e me deixar mais humana. Ah, a tradução foi meio espontânea para deixar com cara de texto, não música (rs… em português não tem musicalidade nenhuma mesmo xD).

*Com certeza minha preferida dele.

A arte de ficar doente

Já vou avisando que este é um post de revolta. Não vou dar nomes aos bois, mas não se sinta ofendido se você nunca agiu assim comigo.

Na realidade, ninguém gosta de ficar doente, e eu também não. Não gosto de agulhas, remédios líquidos (aquelas pílulas até que tudo bem), exames e hospitais, fazer xixi em potinho, médico tentando explicar de forma bem didática para pobres mortais como funciona a rebimboca da parafuseta do seu corpo… enfim. Isso tudo é tedioso. Só tedioso. E eu nunca tive tantos problemas assim com o tédio.

Só não tente ficar doente se você é como eu: costuma se alimentar de alguma forma um pouco diferente (será que é pecado não gostar de peixe?) e é esbelta (o que normalmente, nas revistas, é algo bom, mas na vida real é motivo para dizerem que você não come ou tem anorexia e que ficará doente a qualquer momento).

Claro que todo mundo que come as porcarias comuns por aí e tem uma barriguinha de chopp tem todo o direito de pegar uma gripe ou uma apendicite. Mas é claro que, se você é como eu, qualquer tipo de doença vai acontecer por causa dos seus "hábitos estranhos".

Quando isso acontece comigo o tédio comentado acima some. Some porque algumas pessoas à minha volta, aquelas mais ignorantes que normalmente já me tirariam do sério, conseguem fazer isso com mais força. O tédio dá lugar à indignação.

Fico indignada com a burrice (só para não repitir ignorância, embora saiba que não são a mesma coisa: na realidade eu queria só dizer burrice mesmo).

 

Eu não respondo de forma agressiva, até porque são pessoas que no fundo (bem no fundo) têm um bom coração. Só o cérebro que não é tão bom assim. Pois agora vou responder do jeitinho que eu deveria, se fosse alguém de sangue frio correndo das veias.

 

Primeiro que é muito comum, ao mencionar que eu não costumo tomar refrigerante, comer muitos industrializados ou ingerir carne que as pessoas perguntem: "Ahhhh, e o que você come então? Salada"? E lá vai eu, toda educadinha, explicar que eu como igual todo mundo, que vegetais, grãos, sementes, castanhas… tudo isso é muito gostoso e pode ser comido de outra forma senão na de salada… etc…

Na realidade eu gostaria de responder que essa pessoa devia olhar para o próprio prato porque é mal educado ficar bisbilhotando o que os outros comem ou não comem. Cada um come o que quiser, e se você acha que eu vou morrer, parabéns, você também vai. Principalmente com essa barriga cheia de fritura e o corpo com milhões de doenças prontinhas para nascer, num piscar de olhos. Nem vou falar daqueles que fumam.

Outra coisa muito comum é me chamarem de "naturalista" ou "naturista". Bom, é só alguém dizer isso e eu já percebo o nível de inteligência da pessoa. Normalmente o objetivo dela é ser irônica falando de um jeito sofisticado que sou "natural". Mas normalmente elas não sabem que naturalismo é uma escola literária e naturismo é uma filosofia de vida que inclui idéias de liberdade, como andar nu (peladão).

A não ser que ela ache que eu sou uma escritora do milênio passado ou esteja cega e não consiga ver que estou vestindo roupas, é simplesmente uma pessoa burra.

Nessas horas o que faço é dar um risinho de pena e continuar a vida. Na verdade gostaria de falar quais são os reais significados das palavras utilizadas e avisar que tanto "naturalistas", "naturistas", "pessoas normais" (como essas ignorâncias se consideram) e a deusa aqui têm o direito de ficar doentes. E que, mesmo se eu quisesse ser "natural", isso seria impossível vivendo em uma capital, com o ritmo de vida que tenho, no país que vivo, com os objetivos de vida que tenho. Não comer bosta de lanchonete, doce feito só para viciar e cadáver não é ser natural, é ser um pouquinho consciente do que quem faz esses "alimentos" quer de mim (aposto cincão que não é minha saúde, e mais cincão que é meu dinheiro). Acho que quem está aí nesse mundo e não vê certas coisas é burro mesmo.

Me desculpe, "senhores normais" se eu não vendo o meu corpo para que grandes empresas de porcarias "alimentícias" ganhem dinheiro. Se vocês fazem questão, beleza, fiquem à vontade. Só não venham de chamar de "natural" ou de "menina que não come nada e depois fica doente".

 

 

Por fim, gostaria de dizer aos preciosos mas ignorantes seres que me cercam, que para viver livre de doenças não adianta só comer "bonitinho", a saúde é uma somatória de fatores da vida. Temos que nos alimentar bem, estar em um ambiente agradável, com pessoas agradáveis, e em paz com nós mesmos. Quem disse que eu tenho tudo isso?

Me alimentar de forma consciente não quer dizer que sou perfeita e não tenho problemas.

 

Hoje estou radical, normalmente não sou tão incompreensiva, normalmente, no final das contas, fico quieta… e dou um risinho. :)

Autor Claudia Regina Categoria Para pensar, Vida Comente Comente!

NO-SPEC

Para os trabalhadores das áreas de marketing, artes gráficas e design, o site da campanha NO-SPEC é fantástico. É um convite para participar de um grupo de pessoas que não aceitam que os clientes desvalorizem seu trabalho ao fazer um pedido do tipo: "faz para mim um site/logo/anúncio/arte e se eu gostar, compro".

É claro que, por ser um meio cheio de "sobrinhos de primos de vizinhos" (dificilmente isso acontece em outras áreas) e sem uma regulamentação ou organização, acaba ficando difícil evitar que alguns profissionais (ou não) façam isso. Desse jeito essas profissões são desvalorizadas e o cliente acha que tem o direito de usar o trabalho do profissional, sua criatividade e tempo, para depois decidir se vai pagar.

O próprio site da campanha NO-SPEC explica isso. Inclusive em uma página constam 10 razões para não aceitar esse tipo de trabalho. Vou colocar aqui duas delas traduzidas livremente por mim, com algumas modificações. Original no link acima.

 

Sem garantias

Basicamente, profissionais de Comunicação Visual (design gráfico, web, ilustração) vendem duas coisas: idéias e tempo. Trabalhos especulativos, por definição, pedem do designer um investimento de tanto tempo quando de idéias sem nenhuma garantia de pagamento por isso.

Falta de pesquisa profissional

Um design de sucesso precisa de um investimento por parte do designer para pesquisar apropriadamente a empresa do cliente, área de concorrência e público alvo para o projeto. Como a maioria dos projetos especulativos são feitos em com o tempo apertado, a pesquisa adequada não é feita, resultando em designs que são só "carinhas bonitas", não um design estratégico baseado em fatos e que garante resultados.

 

Uma observação: já fiz muitos trabalhos assim, mas realmente, não compensa. Chega de folia que meu trabalho não é brincadeira.

Então você tem

Noite escura de verão primavera em Curitiba:

Homem: ô senhora! A senhora tem umas moedinha pra me dá?
Moça: tenho nada, não! Estou até indo a pé para casa!
Homem: então a senhora tem alguma coisa!
Moça: estou indo a pé porque não tenho!
Homem: a senhora tem uma casa para onde ir.

Silêncio.

Nunca subestime o poder de um pedinte sobre a sua reflexão. Post baseado em fatos reais.

Autor Claudia Regina Categoria Para pensar, Vida Comente Comente!

Carta-resposta ao Luciano Huck

Como expliquei à dois posts atrás, meu blog sofreu um desvio e perdi alguns posts. Peço desculpas para quem comentou pois perdi também os comentários (o que me deixa triste, pois comentários são legais e não recebo muitos… rs…). Como ainda acho essa carta-resposta do MrManson super genial, e como esse texto já trouxe algumas visitas ao meu blog pelo google, vou colar aqui de novo… rs…

Para quem está perdido: Luciano Huck mandou uma carta de indignação para um jornal depois que ladrões levaram seu rolex (¬¬”) e apontaram uma arma na sua cabeça. O autor do blog Cocadaboa dá uma resposta para Luciano, leia na íntegra aqui.

“Pago todos os impostos. E, como resultado, depois do cafezinho, em vez de balas de caramelo, quase recebo balas de chumbo na testa

Por que todo “cidadão indignado”, principalmente se for rico, começa o seu discurso sempre com o clichê: “pago todos os impostos”. Porra, isso faz dele um cidadão especial? É um ticket que dá direito a reclamar com mais razão? “Pago meus impostos” não é argumento para absolutamente nada, então já começou errando… Ah, e sem comentários sobre as balas de caramelo depois de um cafezinho. Quem diabos come caramelo depois do café?

LUCIANO HUCK foi assassinado. Manchete do “Jornal Nacional” de ontem.

Uhu! 186 acertadores marcaram 64 pontos no Bolão! [Manchete do Cocadaboa]

E eu, algumas páginas à frente neste diário, provavelmente no caderno policial. E, quem sabe, uma homenagem póstuma no caderno de cultura. Não veria meu segundo filho. Deixaria órfã uma inocente criança. Uma jovem viúva. Uma família destroçada. Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio.

Esqueceu do Kibeloco desempregado.

Por quê? Por causa de um relógio.

Um Rolex. De valor suficiente para alimentar uma família numerosa durante uns 2 anos. Uma tonelada de feijão condensada no seu pulso para mostrar o quanto você é mais bem sucedido que os outros.

Como brasileiro, tenho até pena dos dois pobres coitados montados naquela moto com um par de capacetes velhos e um 38 bem carregado.

Pena? Desses caras é para sentir medo. Pena você devia ter da sua mucamba, que vai ter que lavar a sua cueca Calvin Klein borrada.

Provavelmente não tiveram infância e educação, muito menos oportunidades. O que não justifica ficar tentando matar as pessoas em plena luz do dia. O lugar deles é na cadeia.

E o seu lugar é enjaulado num condomínio de luxo.

Agora, como cidadão paulistano, fico revoltado. Juro que pago todos os meus impostos, uma fortuna. E, como resultado, depois do cafezinho, em vez de balas de caramelo, quase recebo balas de chumbo na testa.

De novo o papo de imposto… Uma fortuna? Você paga uma fortuna porque ganha uma fortuna. A carga tributária é a mesma para todos. Ou não. Corrijo: os ricos pagam proporcionalmente menos.

Adoro São Paulo.

Há! Finalmente um pouco de humor!

É a minha cidade. Nasci aqui. As minhas raízes estão aqui. Defendo esta cidade. Mas a situação está ficando indefensável. Passei um dia na cidade nesta semana -moro no Rio por motivos profissionais- e três assaltos passaram por mim. Meu irmão, uma funcionária e eu. Foi-se um relógio que acabara de ganhar da minha esposa em comemoração ao meu aniversário. Todos nos Jardins, com assaltantes armados, de motos e revólveres.
Onde está a polícia? Onde está a “Elite da Tropa”? Quem sabe até a “Tropa de Elite”! Chamem o comandante Nascimento! Está na hora de discutirmos segurança pública de verdade.

Ah! Agora está na hora! Vamos discutir de verdade! Porque antes estávamos discutindo de brincadeira. Mas, agora que você escreveu esta carta indignada, todos vamos deixar as estripulias de lado e discutir para valer.

Tenho certeza de que esse tipo de assalto ao transeunte, ao motorista, não leva mais do que 30 dias para ser extinto.

Claro! E ninguém acaba com isso porque estão todos de brincadeira, ninguém quer levar o problema a sério.

Dois ladrões a bordo de uma moto, com uma coleção de relógios e pertences alheios na mochila e um par de armas de fogo não se teletransportam da rua Renato Paes de Barros para o infinito.

Se transportam para o Capão Redondo ou Heliópolis, que para a galera dos Jardins fica muito além do infinito.

Passo o dia pensando em como deixar as pessoas mais felizes e como tentar fazer este país mais bacana. TV diverte e a ONG que presido tem um trabalho sério e eficiente em sua missão. Meu prazer passa pelo bem-estar coletivo, não tenho dúvidas disso.

Aham… 15 mil Reais na “Superchance” dá um bem estar para um infeliz por semana. Parabéns.

Confesso que já andei de carro blindado, mas aboli. Por filosofia.

Filosofia… Foi Platão que disse: “Homens ficam mais atraentes em carros conversíveis.”

Concluí que não era isso que queria para a minha cidade. Não queria assumir que estávamos vivendo em Bogotá. Errei na mosca. Bogotá melhorou muito. E nós? Bem, nós estamos chafurdados na violência urbana e não vejo perspectiva de sairmos do atoleiro.

Bogotá, a cidade da Colômbia? Ou “Bogotá”, o apelido do apartamento da Narcisa?

Escrevo este texto não para colocar a revolta de alguém que perdeu o rolex, mas a indignação de alguém que de alguma forma dirigiu sua vida e sua energia para ajudar a construir um cenário mais maduro, mais profissional, mais equilibrado e justo e concluir -com um 38 na testa- que o país está em diversas frentes caminhando nessa direção, mas, de outro lado, continua mergulhado em problemas quase “infantis” para uma
sociedade moderna e justa.

Alguns chamam isso de “choque de realidade”.

De um lado, a pujança do Brasil. Mas, do outro, crianças sendo assassinadas a golpes de estilete na periferia, assaltos a mão armada sendo executados em série nos bairros ricos, corruptos notórios e comprovados mantendo-se no governo.


Você sabe de que lado está, né? E você sabe que deu sorte, né?

Nem Bogotá é mais aqui. Onde estão os projetos? Onde estão as políticas públicas de segurança? Onde está a polícia? Quem compra as centenas de relógios roubados?

Poderia dizer “eu”. Mas mesmo assim o preço de um roubado é maior do que a minha renda permite.

Onde vende?

http://lista.mercadolivre.com.br/rolex

Não acredito que a polícia não saiba. Finge não saber.

Falta informatização nas delegacias.

Alguém consegue explicar um assassino condenado que passa final de semana em casa!? Qual é a lógica disso? Ou um par de “extraterrestres” fortemente armado desfilando pelos bairros nobres de São Paulo?

“Fortemente Armado”? Com um 38? Fala sério… Tem certeza que você mora no Rio? E enquanto você enxergar os que não pertencem a sua casta como “extraterrestres” vai ser difícil te levarem a sério.

Estou à procura de um salvador da pátria.

Procura o Lima “Sassá Mutema” Duarte aí no Projac.

Pensei que poderia ser o Mano Brown, mas, no “Roda Vida” da última segunda-feira, descobri que ele não é nem quer ser o tal.

A rima foi proposital?

Pensei no comandante Nascimento, mas descobri que, na verdade, “Tropa de Elite” é uma obra de ficção e que aquele na tela é o Wagner Moura, o Olavo da novela.

Aham! Tudo que foi mostrado no “Tropa de Elite” é uma obra de ficção. Nada daquilo acontece nas favelas. Qualquer semelhança do Capitão Nascimento com qualquer Capitão do BOPE é mera coincidência. Você tem uam bela percepção do que é real e do que é ficção, parabéns!

Pensei no presidente, mas não sei no que ele está pensando.

Se ele soubesse escrever, te faria talvez uma resposta como a minha.

Enfim, pensei, pensei, pensei. Enquanto isso, João Dória Jr. grita: “Cansei”. O Lobão canta: “Peidei”. Pensando, cansado ou peidando, hoje posso dizer que sou parte das
estatísticas da violência em São Paulo.

Bom vindo ao clube! Eu também sou! Dois carros (que somados devem valer o seu Rolex)! E também já tive o privilégio de ter duas armas apontadas para mim.

E, se você ainda não tem um assalto para chamar de seu, não se preocupe: a sua hora vai chegar.

Esqueceu de mencionar que eles não vão poder reclamar na Folha.

Desculpem o desabafo,

Desculpo não. Quem tem que ouvir teu desabafo é seu psicólogo.

mas, hoje amanheci um cidadão envergonhado de ser paulistano, um brasileiro humilhado por um calibre 38 e um homem que correu o risco de não ver os seus filhos crescerem por causa de um relógio.
Isso não está certo.

No tempo que você escreveu o seu desabafo, mais dezenas de pessoas foram assaltadas em São Paulo. Ele não muda nada. E nem vai mudar. Seu discurso é irrelevante.

LUCIANO HUCK, 36, apresentador de TV, comanda o programa “Caldeirão do
Huck”, na TV Globo. É diretor-presidente do Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias.

MrManson, 28, diretor presidente do Cocadaboa e da ONG “Webcam para todas”. Manda um beijo pro Tio Hermes.”

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A máquina de repetir desinformação

A máquina de repetir desinformação - dia sem carro
(reprodução: manchete de dois grandes jornais paulistanos)

Apesar da enxurrada de matérias na semana que antecedeu o Dia Sem Caro (algumas muito mal feitas, outras nem tanto), a grande (?) mídia ignorou solenemente os acontecimentos em 22 de setembro, restringindo-se a repetir manchetes, textos e fotos de boicote à reflexão do ano anterior.

O que significa a foto de um político andando de ônibus? “Um político fazendo demagogia”, responderia qualquer brasileiro, ciente que nenhum de seus representantes usa transporte coletivo.

E a culpa não é do político, que estava apenas cumprindo o seu papel, mas da máquina de repetir desinformação, que prefere a foto do político no ônibus do que a imagem de bicicletas, pedestres ou cadeirantes desfilando nas ruas.

Não à toa: imagens de “pessoas comuns” resgatando o espaço público podem estimular a “subversão”. Imagine se as pessoas começam a perceber que o carro, além de poluir, ocupa espaço público e degrada a cidade? Imagine se as pessoas percebem que as ruas com mais bicicletas são muito mais bonitas e silenciosas do que aquelas entupidas de carros? Perigoso, muito perigoso…

A máquina de repetir desinformação - dia sem carro

“O Dia Sem Carro fracassou, o transporte coletivo é ruim e andar de bicicleta é perigoso”, esta foi a mensgem nada subliminar passada pelos veículos da mídia corporativa pós 22 de setembro, com algumas pequenas brechas aqui e acolá para um ou outro texto de melhor qualidade.

Não é por acaso que mídia está em crise. A realidade supera os releases preparados por assessorias de imprensa e disfarçados de notícia por redatores apressados.

As milhares (milhões?) de pessoas que estavam na avenida Paulista, no Minhocão ou em qualquer outro local onde aconteceram atividades no Dia Sem Carro sabem que a realidade das ruas é bem diferente daquela retratada pela mídia.

A máquina de repetir desinformação - dia sem carro
Caderno publicitário de 8 páginas encartado em um dos jornais dia 22.
Caderno publicitário de 8 páginas encartado no outro jornal dia 23.
Silêncio na imprensa, estímulo ao poder e à agressividade das máquinas.

Por mais que o bombardeio de desinformação e publicidade automotiva seja constante e avassalador, existe uma massa crítica cada vez maior de pessoas dispostas a construir a realidade intervindo diretamente na realidade, sem se preocupar muito com o que o mundo da fantasia bélica segue vendendo.

Duvida? Procure no Youtube os vídeos do Dia Sem Carro e veja se você encontra alguma imagem do Prefeito andando de ônibus…

Fonte: Apocalipse motorizado | Ótimo blog com muita - muita mesmo - informação sobre o caos do egoísmo de se dirigir um carro na situação atual das nossas cidades e do nosso mundo.  Este blog tem um Disco virtual com muita coisa interessante, imagens, cartazes, textos, entre outros. Clique aqui para acessar.

Autor Claudia Regina Categoria Notícias, Para pensar Comente Comente!

A busca da fortuna

“A busca da fortuna não é, em si mesma e por si mesma, incompatível com a mais elevada ética do desenvolvimento espiritual. O homem está vivendo essencialmente no plano terreno, material, e aqui está colocado para superar, dominar e conquistar as condições desta vida, e não para fugir delas.

O asceta e o eremita buscam o isolamento, retirando-se para lugares ermos como vales e planícies, recusando-se a viver no mundo. Pode ser que assim se livrem dos cuidados e das responsabilidades, das provas e tribulações, do sofrimento e das dores deste mundo material. Mas eles estão se isolando, de igual modo, de grande parte da beleza, da nobreza e de todas as finalidades do mundo material.
O segredo do sucesso está na utilização de todo o poder, de toda a faculdade, toda lei e todo o processo da natureza para a consecução de um ideal, desde que esse ideal encerre todo os elementos geradores de conforto, paz, felicidade e desenvolvimento, para o próprio indivíduo e, por meio dele, para a espécie humana em geral. E isso só pode ser conquistado vivendo no meio das pessoas.

H. Spencer Lewis, F.R.C.

Texto recebido do amigo Marco. Partes ressaltadas por mim.

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