A ditadura da beleza não existe
Diversos
04/7/08
Antes de partir para as perguntas 40 e 41 do Projeto 365 Perguntas vou falar um pouco sobre a beleza:

"Ditadura da beleza"
Fico indignada quando escuto alguém falando uma besteira como: "é um absurdo essa mídia de hoje em dia com essa ditadura da beleza dizendo como todos devem ser magros"
Pera lá! Vamos por partes:
Ditadura da beleza?
Será que o conceito de beleza é algo que se impõe? Talvez existam tendências, escolas e hypes – mas beleza mesmo, aquela da essência, não se discute. As artes estão aí para provar isso.
Porém, quando passamos a falar sobre a beleza do corpo humano na realidade estamos nos referindo à reação dos outros seres humanos. Normalmente eu diria "do sexo oposto", mas ultimamente tenho percebido que esse termo vai entrar em desuso muito cedo. Assim como piadinhas de gays/viados/sapatões estão cada dia mais perdendo a graça. Uma pausa para darmos uma viva à evolução – já era hora.
Para não ficar dúvidas: ninguém pensa na beleza intrínseca da Mulher Melancia – aliás, se quiser se divertir pergunte para um homem se ele pode falar mais sobre a beleza intrínseca da Mulher Melancia -, os homens simplesmente pensam que ela é gostosa. E quando se usa o termo gostosa é porque estamos falando de comer ela (no bom sentido). E, se estamos falando de comer a Mulher Melancia, então quer dizer que essa beleza não tem nada de intrínseca! Muito pelo contrário, ela é dependente da atração sexual resultante da bunda enorme daquela guria! Então a beleza dela depende de uma atração sexual instintiva do ser humano (os motivos para peitos e bundas serem os preferidos você encontra a um Google de distância!).
Resumindo: Beleza – com B maiúsculo – não se discute.
Não existe ditadura da beleza de uma música ou de uma obra de arte, pois é uma beleza intrínseca.
Não existe ditadura da beleza dos nossos corpos, pois é uma beleza baseada em algo que é igual em todos nós: instinto [sexual].
É claro que, ainda bem, não somos somente corpinhos passeando por aí. Temos cérebro e usamos ele bastante, então isso também ajuda na hora da atração. Por isso já vou dizendo: não sou "contra" gordos. Não acho todos os gordos feios. Assim como não acho todos os magros bonitos. Se eu usasse só meus instintos, seria assim, mas não é o que acontece. Eu uso meu cérebro para criar outras "margens de corte". Barba, óculos, esperteza, audácia, sarcasmo: são coisas que me atraem, independente do peso de seu portador.

Hoje em dia?
Na época das cavernas era diferente de hoje? Mais para frente, na idade média, será que era diferente? Por mais que em algumas épocas ser gordinho fosse chique, não quer dizer que fosse bonito. Tanto que reis e socialites de suas épocas não se contentavam com suas mulheres gordinhas e chiques. Se fôssemos falar de beleza, mesmo mesmo, eles preferiam a escravas magrinhas e sedutoras.
Época é irrelevante para instintos, a não ser quando falamos em períodos de bilhões de anos. Como o ser humano está longe dessa marca, o instinto de uma gordinha moderna de hoje lutando pelos direitos de seu Big Mac está no mesmo patamar do instinto de uma mulher sendo puxada pelos cabelos lá na época da pedra polida. Se pudessem escolher as duas iriam preferir passar uma noite com o Jhonny Deep do que com o Jô Soares – e desculpe te decepcionar, mas não é a mídia que disse isso não, afinal a mulher das cavernas não assistia novela.
Então chegamos na mídia
Claro que mídia não é só televisão e revistas, mas com certeza são os meios mais utilizados para a suposta ditadura da beleza ser espalhada. Vou ser simples e direta nesse ponto: são empresas de pessoas que querem sobreviver assim como eu e você, e fazem o que for por isso. Se o público se interessa por Mulher Melancia, é Mulher Melancia que eles colocarão na mídia. Que mania de querer uma mídia fofinha e politicamente correta que busca a paz mundial.
Quer verdadeira intelectualidade e fatos? Vá ler um livro, pesquisar e estudar. O papel da mídia não é mais – se é que já foi – o de ser a única fonte de informação inteligente e séria ou notícias importantes. Na realidade o papel da mídia – e quando falo "da mídia" me refiro principalmente à TV e Revistas – agora é divertir. Papel necessário, é claro, pois ninguém é de ferro e pode escolher como quiser sua forma de diversão.
Finalmente chegamos na magreza
Essa história de luta pelos direitos de ser gordo e "comer feliz o que acha gostoso" para mim tem cara de coisa que o McDonald’s criou. Sociedades e grupos de gordinhos nos Estados Unidos existem em montes, só para celebrar o fato de que eles sim vivem a vida felizes comendo bastante. Desculpe, mas para mim eles só estão celebrando o enriquecimento de empresas privadas que não estão nem um pouco preocupadas com elas – além de "celebrar" sérios problemas de saúde relacionados à obesidade (e não são poucos). Ser gordo não é questão de opinião pessoal, pois não é "opcional". É algo que infelizmente faz mal à saúde.
Sempre digo: se a pessoa é magra não quer dizer que ela é necessariamente saudável, pois existem formas para ficar esbelto que são o oposto de saúde: vide transtornos alimentares, dietas malucas e exercícios sem moderação. Porém, quando uma pessoa é saudável (não só no quesito alimentação, mas todo o estilo de vida), ela é necessariamente magra, e pronto.
É claro que nós, como indivíduos, não nos resumimos à nossa aparência. Mas um padrão de beleza existe e isso não podemos discutir.
Agora, vamos às perguntas! :)
Qual parte do seu corpo você gostaria de mudar? Todo ele, é claro! Ué, por que o espanto? Sou um ser humano oras bolas, sempre estou descontente com o que tenho!
Qual parte do seu corpo você não mudaria de jeito nenhum? Ok, ignorando a resposta acima: gosto do formato do meu rosto. Minha boca também é legal, talvez manteria. Ah é, a cintura. Minha cinturinha de pilão eu deixaria intacta! \o/



5 Comentários
Concordo com cada palavra! Muito bom.
bjs
Vc taxou todos os gordos q sofrem preconceito militantes do Mc Donalds? Não? A maioria? Não! Metade? Ainda é muito. Não defendendo a obesidade, pois é nociva mesmo. Mas os magros ainda não entendem e sempre associa medidas a safadeza. segue a vida!
Recomendo ler http://unadonna04br.multiply.com/ para contrapor suas opiniões de que ser gordo é não é ser saudável.
A mídia geralmente, creio eu, não cria valores, apenas os difunde. O solo de valores sobre o qual transitamos não foi criado pela mídia. Mas ela é sim, uma peça forte na dinâmica renovadora das sociedades. Os empreendedores da mídia não investem em nenhuma transaformação isoladamente e dificilmente escancaram com certas conveniências espúrias entre muitos setores inclusive o próprio que elas representam. A mídia não transforma coisa alguma. Ela não altera mas conduz. Cabe a ela veicular as informações, as expressões, as opiniões e sabe-se lá mais o que… mas antes é feita a análise das tendências e essas tendências são analisadas visando o lucro ou a própria sustentação da empresa ou de um funcionário dela… A mídia é uma fiel reprodutora das tradições. As novas descobertas científicas também são difundidas pela mídia.Mas a televisão, o jornal e a revista geralmente não enfocam os avanços científicos, a não ser aqueles onde certos noções da cultura vigente são corroborados direta ou indiretamente. A “ditadura” da beleza, do consumo, da imagem, da moradia, do comportamento… é só um outro nome para cultura de massas. Mas nesse caso da massa high.
Mas a pergunta que não quer calar: se a mídia é consequência de uma coisa muito maior, um sistema dentro do qual ela está inserida com papel relevante mas não determinante; a partir disso, qual é a relevância dela como difusora dos vícios sistemáticos ? Grande ou pequena ?
Nem tudo é instinto, muita coisa é obsessão a ponto de virar doença. Os vícios são a injustiça e a discriminação baseada em pontos ocos de julgamento, a falta de profundidade do homem consigo mesmo, o desespero do solitário, do atrofiado sentimentalmente atrás de consumo de gastanças para demonstrar seu poder e consequentemente ir pra mais longe cada vez do autoconhecimento, do caminho iniciado com o iluminsmo… certas coisas talvez nunca mudem, mas o investimento em educação deve ser levado a sério como sendo hoje a única alternativa que atinja proporções sociais civilizadamente.
Mas que educação seria essa?
legal seu ponto de vista…
indiquei la no meu blog http://pontoajour.blogspot.com/