Minhas férias em Paris ou 20 minutos sagrados em Curitiba
Diversos
02/06/2008
Estava andando pelo centro de Curitiba nesse inverno de vento gelado – quando a sensação térmica fica bem abaixo de zero – entre um compromisso e outro. Naqueles momentos quando você tem 20 minutinhos, e não sabe muito bem como aproveitá-los. 20 minutos livres no meio de uma correria, de um trânsito caótico de carros e um trânsito caótico de idéias. Às vezes elas [as idéias] parecem só um caos mesmo.

Nesta caminhada passei em frente à um café. Já havia estado ali uma vez ou duas, e por mais que eu seja do tipo “não-tenho-tempo-para-o-café”, o lugar acolhedor me chamou para um momento de férias. Foi um convite silencioso, mas irresistível, e resolvi entrar.
Neste momento, em Curitiba [pelo menos sob o meu olhar], em meio à frieza do clima e dos rostos, naquele horário em que não está claro nem escuro, tudo pareceu rodar um pouco em câmera lenta.

Sentei naquela poltrona de canto e aproveitei o clima não tão frio de dentro do café. Não tinha música ambiente, embora eu pudesse escutar ao longe algumas notas da trilha sonora de Amélie Poulain [certamente vindo de minha imaginação]. O som ambiente era de conversas, máquinas de cartões de crédito, algumas buzinas ao longe e carros, muitos carros, passando em frente.
Com a desculpa de comemorar um novo emprego, resolvi liberar um pouco a mente dos pensamentos que correm loucos dentro dessa minha cabeça. Como este trabalho veio a calhar bem no momento que eu estava prestes a sair da outra empresa, eu não tive sequer um dia de férias. Sonhei em pegar pelo menos alguns dias só para limpar a mente. Mas acho que alguns dias não seriam tão eficazes quanto aqueles 20 minutos.

Pedi um café nem muito forte nem muito fraco – isso foi exatamente o que eu disse para a atendente – com um belo creme por cima, além de uma fatia de torta de morango com chocolate.
Os homens provavelmente nunca vão entender o prazer e a satisfação que é fazer isso. Será que eles imaginam a felicidade que traz às mulheres um café [com creme, para que não fique amargo] e uma fatia de algo feito basicamente de açúcar?

Bom, certamente, para os nutricionistas, essa combinação não faz bem algum. Mas para minha saúde mental foi um santo remédio. Depois de tanto tempo cuidando de minha saúde e de minha estética seguindo regras que eu mesma criei, tenho todo o direito de violá-las.
Como raramente acontece, eu realmente não estava mais pensando no trabalho, nos problemas, no clima, na dificuldade, na falta de ética, na incompetência humana, nos planos, nos compromissos… eu estava pensando: “eu me sinto bem assim”.

Olhei o relógio, e já um pouco atrasada para o próximo compromisso, fui pagar. Uma quantia insignificante, que foi embora da conta como um peso que fugiu das minhas costas.
Ao sair pela porta e encarando o clima e os rostos frios novamente, pensei sobre aquele momento e como deveira escrever isso antes que se perdesse no tempo e no espaço de meus pensamentos ligeiros. Realmente. Esses pensamentos logo voltaram e tomaram o lugar daquela sensação momentânea indefinida. Mas houve tempo para escrever.



Um Comentário
Gostei do texto =) e curitiba não fica distante de Paris hehehe exceto que Curitiba esta no pais bonito do mundo …au revoir